quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Dirigentes da Fifa e líder da reforma se irritam com perguntas sobre corrupção

Presidente Hayatou, secretário-geral Kattner e chefe do Comitê de Reforma, Carrard, perdem a calma em coletiva na sede da entidade, que espera se recuperar em 2018

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Zurique, Suíça
Em coletiva realizada horas depois de dois membros do Comitê Executivo da Fifa serem presos em Zurique, o presidente em exercício da entidade, Issa Hayatou, e os demais presentes à mesa se esquivaram de perguntas sobre as investigações e corrupção na entidade. Hayatou chegou a dizer que não sabe por que foi sancionado pelo Comitê Olímpico Internacional - foi advertido em 2011 por receber dinheiro da extinta ISL, empresa suíça de marketing esportivo -, e o secretário-geral Markus Kattner se negou a responder quando questionado sobre como pode exercer o cargo se também assinou o documento que fez com que Joseph Blatter e Michel Platini fossem banidos provisoriamente pelo Comitê de Ética. Hayatou mencionou até que o problema com o COI poderia ser uma questão de "cor", insinuando racismo.

Por fim, François Carrard, o homem encarregado de conduzir a reforma que prevê divulgação de vencimentos da cúpula da Fifa saiu do sério quando questionado sobre quanto recebeu pelo trabalho. Muito irritado, deu uma resposta genérica na coletiva e, depois, quando deixava a sala, afirmou:

- Isso é problema meu, não de vocês.

 Presidente interino Issa Hayatou fala em coletiva da Fifa  (Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann)Presidente interino, Issa Hayatou fala em coletiva da Fifa (Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann)














Hayatou abriu a coletiva com um pronunciamento no qual disse que as prisões do presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, e do presidente da Concacaf, Alfredo Hawit, tornam ainda mais urgentes as reformas na entidade. Seu pronunciamento foi seguido de uma apresentação das reformas por Carrard com slides, enquanto Hayatou quase cochilava na cadeira. Justificou o sono posteriormente com "pequenos problemas de saúde" - ele passou recentemente por uma cirurgia no rim.

A única a não desviar de perguntas mais duras foi Moya Dodd, única eleita no Comitê Executivo. Questionada sobre a medida aprovada de haver no comitê de cada confederação continental obrigatoriamente ter uma mulher entre seus representantes, ela não gostou da afirmação de que poderia ser somente uma providência para manter aparências, e rebateu pedindo que o jornalista observasse melhor o papel que as mulheres estão desempenhando no esporte. 

Na coletiva, a Fifa transmitiu imagens com gráficos sobre os planos de reforma. Um deles continha um cronograma, no qual a entidade afirma pretender recuperar sua credibilidade em 2018 e se recuperar completamente da atual crise em 2018. Kattner confirmou, sem dar valores, que o balanço de 2015 deverá mostrar déficit por conta de "gastos adicionais" com a crise. Além do déficit, a Fifa sofre forte pressão de patrocinadores e ainda não tem o orçamento para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, totalmente fechado, restando ainda US$ 1 bilhão em captação de receitas, de um total de US$ 5 bilhões.

Carrard rebateu também as insinuações sobre o Comitê de Reforma não ser independente, já que seus membros foram indicados pelas confederações continentais. 

- É um fator positivo, pudemos ter informações e opiniões de todas as regiões.

Hayatou, por sua vez, também mudou a expressão ao ser questionado sobre possível propina em relação às suspeitas de compra de votos para escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022:

- Se eu fosse corrupto, não estaria aqui. Não recebi nenhum dólar, nenhum franco, nenhum euro para escolher qualquer país que seja. A Fifa não é corrupta, não se pode generalizar. 

Na coletiva, foi anunciado o aumento do número de membros do Comitê Executivo, que passará a se chamar Conselho Executivo, e terá mais 10 membros - hoje são 26, a partir da aprovação no Congresso em fevereiro passarão a ser 36, sendo sete da CAF (África), sete da AFC (Ásia), cinco da Concacaf (Américas do Norte e Central), cinco da Conmebol (América do Sul), três da Oceania e nove da Europa. Cada confederação terá obrigatoriamente de ter pelo menos uma mulher entre os seus representantes.

- O Conselho terá uma função estratégica, não participará do dia a dia, que ficará a cargo do secretário-geral - finalizou Carrard. 

fonte: globo