Maior colecionadora de scudettos do país (27), Velha Senhora aposta em contratações caras e estádio novo contra os rivais Milan e Internazionale
Foram R$ 276 milhões gastos no novo estádio, inaugurado na última quinta-feira sob empolgante festa. Mais R$ 197,2 milhões (segundo o site Transfermakrt) investidos em reforços. Caro ou não, este pode ser o preço para o Juventus enfim acordar após anos de ostracismo no Campeonato Italiano, que começa nesta sexta-feira com Milan x Lazio em sua segunda rodada após uma greve organizada pelos jogadores. Maior colecionadora de scudettos do país, com 27 títulos, a Velha Senhora vê a temporada 2011/2012 como fundamental no seu projeto de recuperar a auto-estima e voltar a competir com os rivais Milan e Internazionale de Milão como potências - por perder a conquista de 2005 na justiça, não vence desde 2003. Os primeiros passos, fora de campo, já foram dados.
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Ídolo do clube nos anos 90, época de muitas glórias para o clube, o ex-meia Antonio Conte foi nomeado técnico após a pior temporada nos últimos 20 anos. O sétimo lugar em 2010/2011 não classificou o Juventus para nenhuma competição internacional, ainda assim o clube injetou dinheiro para o treinador se dar por satisfeito com o fechamento do mercado.
Terceiro maior investimento da janela
De acordo com o “Transfermarkt”, boa parte do montante utilizado nas contratações foi designada à aquisição dos jogadores emprestados no último ano com direitos fixados. É o caso, por exemplo, do meia Pepe (R$ 17,4 milhões) e dos atacantes Matri (R$ 36 milhões) e Quagliarella (R$ 24,3 milhões).
A eles se juntaram nomes como o lateral Lichtsteiner, ex-Lazio (R$ 23,2 milhões), o volante Vidal, ex-Bayer Leverkusen (R$ 24,3 milhões), o atacante Vucinic, ex-Roma (R$ 34,8 milhões), o meia Elia, ex-Hamburgo (R$ 20,8 milhões). Pazienza (Napoli) e o meio-campista Pirlo (Milan) chegaram sem custos, enquanto o paraguaio Estigarribia custou apenas R$ 1,1 milhão. Todas essas transferências colocaram o clube como o terceiro maior investidor da janela, empatado com o Chelsea em R$ 197 milhões e atrás apenas de Paris Saint-Germain (R$ 198 milhões) e Manchester City (R$ 212 milhões).
– Pode ter gastado muito, mas acho que foram contratações feitas com mais critério do que nos outros anos. Para ter uma ideia, o uruguaio Martinez veio por € 12 milhões (R$ 27 milhões na cotação atual) em 2010 e já foi emprestado. Foi ridículo – disse o comentarista Lédio Carmona, do SporTV, que também avaliou os nomes.
– O Pirlo é uma grande contratação, foi o melhor da Itália em campo contra a Eslovênia (pelas eliminatórias da Euro-2012). Foi pontual, ainda mais se levado em conta que o Felipe Melo era quem atuava em sua posição. Liechtsteiner é um bom lateral, Estigarribia veio quase de graça, foi um dos destaques paraguaios na Copa América, o Vidal é um bom volante e ainda polivalente, O Vucinic será útil... Finalmente o Juventus tem um time. Ainda não é para ser campeão, mas vai dar um certo orgulho aos torcedores – apostou.
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De seu novo estádio, ao menos, eles já podem se orgulhar. Construído apenas por R$ 276 milhões no mesmo local onde era o antigo Delle Alpi, o palco é o mais moderno do país e, além de funcionar como uma arena durante as partidas (as arquibancadas ficam a 7,5m do campo), deve triplicar as receitas do clube com a área.
– O Juventus precisava ter um estádio com a cara dele. Nem o Olímpico nem o Delle Alpi criaram muitas raízes. Tem que avisar a essa molecada da atualidade que a história da Velha Senhora é mais rica que a de Milan e Inter. A marca do clube é o seu poder. Tudo conspira para uma boa temporada que possa reerguer o Juve – afirmou Lédio.
Com a base mantida, Milan e Inter de Milão ainda parecem estar um patamar acima dos demais e devem polarizar a disputa pelo caneco. Com 17 títulos cada após a conquista rossonera na última temporada, a disputa será ainda pela superioridade na quantidade entre os rivais de Milão.
Sem perder um jogador sequer importante do grupo, o Milan aposta no entrosamento do quarteto Cassano, Pato, Ibrahimovic e Robinho, além da segurança na defesa com Thiago Silva. Tudo sob comando do técnico Massimiliano Allegri, que ruma para sua segunda temporada no Rubro-Negro. Os nerazzurri, por sua vez, têm treinador novo: o italiano Gasperini, ex-Genoa, que implantou de cara o sistema não tão usual 3-4-3.
– Apostaria no Milan campeão de novo e o Inter vice – disse Lédio.
No Milan, os reforços foram praticamente gratuitos e também importantes: os meio-campistas Aquilani e Nocerino, único que foi comprado (R$ 6,1 milhões), o lateral-esquerdo Taiwo e o zagueiro Mexès, que deve se revezar com o veterano Nesta, próximo da aposentadoria.
O Inter de Milão teve de lidar com a venda de um de seus principais jogadores. Samuel Eto’o foi para o Anzhi e deixou um buraco no ataque. Não satisfeito, o presidente Massimo Moratti trouxe dois nomes que empolgaram: o atacante uruguaio Diego Forlán, ex-Atlético de Madri, por R$ 11,6 milhões, e o argentino Mauro Zárate, ex-Lazio, por empréstimo que custou R$ 6 milhões. O compatriota Ricardo Alvarez, promessa do Vélez Sarsfield, e o lateral brasileiro Jonathan, campeão da Libertadores pelo Santos, também vieram da América do Sul.
Além do Juventus, que gastou R$ 197 milhões em contratações, o Roma foi outra equipe a se movimentar bastante durante o mercado. Dentre as principais aquisições estão o meia argentino Lamela (River Plate), o goleiro holandês Stekelenburg (Ájax), o meia bósnio Pjanic (Lyon) e os atacantes Osvaldo (Espanyol) e Bojan (Barcelona). Todos a pedidos do técnico Luis Enrique, responsável pela renovação do time da capital.
Coube ao Napoli, no entanto, realizar a maior compra. Por mais de R$ 40 milhões a equipe tirou o suíço Inler, do Udinese, para a disputa da primeira Liga dos Campeões desde a geração de Diego Maradona e Careca.
As maiores cifras envolvendo atletas do Campeonato Italiano foram, definitivamente, de exportação. Do Palermo, saiu o argentino Javier Pastore para o Paris Saint-Germain por valor recorde na França (R$ 96,2 milhões). O Internazionale e Samuel Eto’o preferiram o dinheiro à continuidade de uma parceria vitoriosa e viram o Anzhi gastar R$ 63 milhões em seus direitos e R$ 46 milhões em salários por cada uma das três próximas temporadas. O chileno Aléxis Sánchez se rendeu ao Dream Team do Barcelona e deixou o Udinese por até R$ 83,5 milhões (contando bonificações).
Excluindo Inter e Milan, o chamado “segundo pelotão” aparece equilibrado e com equipes que podem surpreender. Juventus, Napoli, Roma, Lazio e Udinense prometem aquecer a disputa pela terceira e última vaga na Liga dos Campeões, já que o Campeonato Italiano perdeu um posto na principal competição do continente para o Campeonato Alemão em função do ranking de coeficiente da Uefa.
A vantagem, a princípio, deve ficar por conta da dupla Juventus e Roma, que não tem mais competições europeias pela frente (o time da capital foi eliminado na fase preliminar).
– Farão campanha melhor, não tenho dúvida. No Juventus, o Antonio Conte tem a cara do clube, conhece os problemas. As coisas irão se encaixar. Não é ano de título, mas de mais alegrias. O Roma também está montando um time interessante, investindo em jovens. Vão dar ligar – contou Lédio.
Rival do Roma, o Lazio, que tem o brasileiro Hernanes como destaque, trouxe os atacantes Cissé e Klose e o goleiro Marchetti para também sonhar com a fama após ver a vaga na Liga dos Campeões escapar na reta final do último campeonato.
Confira os jogos da segunda rodada do Campeonato Italiano:
*Horários de Brasília
Sexta-feira
15h45 – Milan x Lazio
Sábado
15h45 – Cesena x Napoli
Domingo
7h30 – Juventus x Parma
10h – Catania x Siena
10h – Chievo x Novara
10h – Fiorentina x Bologna
10h – Genoa x Atalanta
10h – Lecce x Udinese
10h – Roma x Cagliari
15h45 – Palermo x Inter de Milão
fonte: globo