segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ney Franco pede a manutenção da equipe campeã estadual para disputa da Série B

Treinador espera que interesse do Vasco sobre Ariel seja apenas mais uma especulação em torno do artilheiro

Um dia após conquistar o título paranaense, o Coritiba já foi alvo de especulações envolvendo os seus jogadores. O nome da vez é o do artilheiro Ariel, que teve seu nome ventilado no Vasco. Em visita à RPC (afiliada da TV Globo no Paraná), o técnico Ney Franco disse desconhecer o interesse cruzmaltino no seu atacante e pediu a manutenção da equipe campeã.
- O Ariel este ano foi especulado no Palmeiras e no Fluminense. Não estou sabendo de nada, mas espero que seja só mais uma especulação. Eu estou muito satisfeito com o atual elenco. A gente está sempre aberto a contratações, mas prefiro não perder do que falar em contratações - afirmou.

Thiago Fernandes/GLOBOESPORTE.COM

Em Curitiba, Ney Franco posa com a taça de campeão paranaense


O treinador também falou sobre a disputa da Série B, objetivo maior do clube na atual temporada. Para o técnico, o clube tem que estar sempre na zona de classificação para a elite.

- Tem que entrar como um dos favoritos. O Coritiba é uma equipe que vai ter que trabalhar pensando sempre em estar entre os primeiros quatro. Se você parar para analisar, tem umas oito equipes que são as principais candidatas a subir. O Coxa está entre elas.

Confira a seguir a entrevista completa do treinador:

O rebaixamento para a Série B e o quebra-quebra no estádio deixaram uma cicatriz nesse grupo. O título do Paranaense (assista ao vídeo) ajuda a superar isso?

Ajuda no processo de cicatrização. Vamos ter uma temporada difícil, e esse título paranaense dá um suporte para o resto. Já começa a apagar um pouco as lembranças traumáticas. E tem a autoestima que ficou mais elevada. Não só dos jogadores, como a da torcida.

Essa questão da autoestima é emblemática. Há uma clara preocupação de funcionários, jogadores e até dos torcedores em mudar a imagem que ficou com a tragédia do ano passado. Você também sente isso?
Sinto, com certeza. Começamos a passar para o país o que realmente é o Coritiba. O Couto Pereira sempre teve famílias, crianças...Ficou essa mancha com esse grupo de torcedores invadindo o gramado. Tivemos a chance, neste domingo, de passar para todo o país que o Couto sempre foi muito aprazível.

Assim que saiu o segundo gol do Coritiba, o placar eletrônico pediu para os torcedores não invadirem o campo. E isso foi respeitado, mesmo sendo a comemoração de um título. Há uma mudança no comportamento do torcedor dentro do estádio após a tragédia?

A diretoria tomou algumas decisões em relação à segurança do estádio. Dentro dessas decisões, está sendo feito um trabalho da conscientização do papel do torcedor dentro do estádio do futebol. O comportamento futuro do torcedor será de desportista. Vai para assistir em forma de lazer. Vai continuar cobrando, claro, mas sem vandalismos.

O jogo começou complicado para o Coritiba, com o Atlético-PR buscando muito o ataque. Você sentiu em algum momento que o título poderia fugir?
A gente foi preparado, sabendo que era muito difícil. O Atlético-PR começou melhor posicionado, mas depois a nossa equipe encaixou. Eles vieram de uma maneira diferente do que vinham jogando. A gente fez algumas mudanças dentro de campo e se ajustou. No segundo tempo, nossa equipe foi superior e foi merecedora do título.

  • Aspas

    Tivemos que remontar a equipe. Muita gente dizia que o Coritiba era terra arrasada. Conseguimos transformar o palco da barbárie em um palco de alegria."

Você conquistou três títulos estaduais em três estados diferentes. Algum teve um sabor especial?
Eu disputei seis competições estaduais e nas seis cheguei nas finais. Duas em Minas, duas no Rio e duas aqui no Paraná. Cada momento tem que comemorar muito. Meu primeiro título foi no Ipatinga, com um Mineirão lotado. Você ouvia a semana toda que o Cruzeiro já era campeão. O Tigre tinha o convênio com eles e as pessoas falavam maldosamente que íamos entregar. O segundo foi com o Flamengo, no Maracanã lotado. A repercussão é enorme quando se é campeão com o Flamengo. No Paraná, é uma sensação diferente. Tivemos que remontar a equipe. Muita gente dizia que o Coritiba era terra arrasada. Conseguimos transformar o palco da barbárie em um palco de alegria.

Rio, Curitiba ou Belo Horizonte? Qual a cidade preferida do Ney?
Morei em três cidades muito boas. Foram quase dez anos em Belo Horizonte e mais de um em Ipatinga. O Rio de Janeiro é uma das melhores cidades do mundo para se morar. É a cidade onde eu penso em ter uma base para o futuro. Por enquanto, meu filho de quatro anos ainda pode me acompanhar nessa vida de cigano, mas uma hora isso vai ter que parar. Curitiba tem uma qualidade de vida das melhores do Brasil. O transporte é funcional, a educação e a saúde também funcionam. É uma cidade em que você se sente muito protegido.

  • Aspas

    Eu estou muito satisfeito com o atual elenco. A gente está sempre aberto a contratações, mas prefiro não perder do que falar em contratações. Meu medo é perder atletas."

Falando agora de Série B. O clube já pensa em contratar reforços para a disputa do torneio?
Nesta semana o clube apresenta o Jéferson, um dos artilheiros do Campeonato Gaúcho. Existe a possibilidade de outras contratações. Mas isso está a cargo da diretoria. Eu estou muito satisfeito com o atual elenco. A gente está sempre aberto a contratações, mas prefiro não perder do que falar em contratações. Meu medo é perder atletas.

Por falar nisso, no Vasco já se comenta a possível contratação do Ariel...

O Ariel foi especulado no Palmeiras e no Fluminense. Não estou sabendo de nada, mas espero que seja só mais uma especulação e que ele fique para a Série B.

No torneio nacional, qual a postura que o Coritiba deve adotar? Você acha que o time será encarado como o favorito?

Tem que entrar como um dos favoritos. O Coritiba é uma equipe que vai ter que trabalhar pensando sempre em estar entre os primeiros quatro. Se você parar para analisar, tem umas oito equipes que são as principais candidatas a subir. O Coxa está entre elas.

E quais seriam as outras?
As equipes de São Paulo são sempre difíceis. O Santo André está na final do Paulista e ainda tem a Ponte e o Bragantino. No Bahia está sendo desenvolvido uma trabalho muito qualificado com o Renato Gaúcho. No nordeste, tem o Sport e o Náutico, que têm muita tradição. Em Santa Catarina, o Figueirense é forte também. Fora as surpresas que podem aparecer. Nesse contexto, o América-MG e o Ipatinga são candidatos. Vai ser um campeonato muito bem disputado.

Por conta da punição que o clube sofreu após o quebra-quebra, o time terá que disputar os primeiro dez jogos em Joinville. Isso pode prejudicar a campanha da equipe?
Tem o desgaste da viagem, que preocupa um pouco. O recomendável é sempre jogar na sua casa, com seu torcedor. Mas eu prefiro não reclamar. Tem que se adaptar. Fizemos isso no Campeonato Estadual e deu certo. Temos que fazer da Arena de Joinville a nossa casa. O Coritiba passa a ser a segunda equipe de lá. Vai ser desenvolvido alguns treinamentos lá para o time se adaptar.

fonte: globo