sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eduardo renova contrato no Arsenal, mas reforça o sonho de jogar no Vasco

Atacante cresceu vendo Romário jogar e só teve passagens rápidas pelas categorias de base de Ceres e Bangu antes de deixar o Brasil para Croácia


O atacante Eduardo da Silva posa em frente a faixa de apoio vascaína

As cores que Eduardo defende agora são as da bandeira croata, mas o talento para o futebol ele admite que veio da pátria de nascença:

- Brasileiro dentro da barriga já está fazendo embaixadinha. Todo mundo quer ser jogador.

No caso do brasileiro-croata, um jogador em especial:

- Quando eu tinha cinco anos, era só Romário, Romário, e você quer ser também o Romário.

Assim como uma geração inteira de vascaínos, Eduardo escolheu a equipe cruzmaltina por causa do Baixinho. Ele não teve a chance de jogar por um clube no Brasil antes de ser descoberto com 16 anos por olheiros croatas no Campeonato de Favelas da CBF – a não ser por rápidas passagens pelas categorias de base de Ceres e Bangu, times da Zona Oeste do Rio, próximos à comunidade de Vila Kennedy, onde ele morava. A identificação que ficou foi mesmo com o time da infância, que ele não descarta defender um dia.

- Eu ia gostar. Vamos ver no que vai dar. Quem sabe futuramente. Todo jogador planeja o fim da carreira. Vão dizer que só quero ir no fim da carreira, mas se eu tiver em condições boas, por que não? - pergunta o atacante do Arsenal, que acabou de renovar o contrato com o clube inglês até 2014.

O problema é que vontade, Eduardo lembra, não é suficiente. Ele acredita que se voltasse ao Brasil para disputar o futebol local enfrentaria problemas semelhantes ao de um estrangeiro tentando se adaptar ao país. Não à cultura, mas ao estilo de jogo. O brasileiro-croata admite ter sido moldado à forma européia e mesmo na seleção brasileira ele acha que seria difícil se encaixar.

- Pensar em jogar no Brasil eu já pensei, só que seria muito difícil de eu ir porque não tenho conhecimento lá, saí de lá cedo, nunca passei por um clube lá. Claro que queria jogar uma temporada para ver, para sentir, esse sabor, essa mentalidade brasileira, sentir a atmosfera de lá - explica. - Nunca se sabe o destino, talvez um dia.

Bernardo Pires Domingues/GLOBOESPORTE.COM

Carioca-croata, Eduardo visita o Cristo Redentor

Pelo menos o Rio de Janeiro já provou ser o porto seguro do jogador. Ele passou boa parte do seu período de recuperação da fratura exposta no tornozelo sofrida em 2008 na cidade em que nasceu e onde vive o grupo de pessoas mais queridas.

- Tem minha mãe, tem meu irmão - pai não tenho, não cheguei a conhecer, era muito pequeno quando ele me deixou. Família, primos, parentes e amigos. É sempre importante; família é sempre o primeiro lugar. Você sabe que são os únicos que querem o seu bem e você também quer o bem deles - define.

Bernardo Pires Domingues/GLOBOESPORTE.COM

Eduardo da Silva toca um animado pagode

O atacante parece ter entendido ainda melhor a importância da família durante o ano em que esteve parado, cuidando da lesão e preparando sua volta à ativa:

- Foi difícil tudo o que eu passei, a operação... Mas uma coisa que descobri é que ali você vê quem está contigo e quem não está. Quando você está jogando, todo mundo quer ficar perto de você.

A torcida do Arsenal ficou. E quem acha que a do Vasco não ficaria?

Entrevista agendada por intermédio do SEM Group (www.semplc.com)

FONTE: GLOBO