terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Fiscal questiona confissão de menor e cogita 13º indiciado em inquérito


Abigail Saba diz que situação de presos não muda e quer suposto autor respondendo processo na Bolívia, onde maioridade penal é de 16 anos

Por Diego Ribeiro
Oruro, Bolívia
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Os 12 torcedores corintianos que estão presos na Penitenciária de San Pedro, em Oruro, vão continuar lá até que seja julgado o pedido de apelação do decreto de prisão preventiva aos brasileiros. Isso porque a fiscal de investigação (equivalente à promotora) Abigail Saba não pretende mudar sua linha de trabalho depois da confissão, no Brasil, do menor H. A. M., que teria sido o responsável pelo disparo que matou Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, na Bolívia. Pelo contrário: ela cogita reformar o inquérito e colocar um 13º indiciado no documento.
Abigail espera a confirmação da confissão e documentos vindos do Brasil para definir os próximos passos, mas a tendência é que ela não mude a condição dos 12 presos em Oruro – quer mantê-los ao menos como cúmplices da fuga do menor, caso essa versão seja confirmada.
- Todos são cúmplices, pois trouxeram o menino e o deixaram sair de Oruro. Por que fizeram isso? Havia algum interesse por trás. Esperamos que o tragam para responder às acusações na Bolívia, de acordo com as leis bolivianas, e assim será indiciado como todos os outros - afirmou Abigail Saba, em contato com a reportagem doGLOBOESPORTE.COM.
De acordo com o Ministério Público – informação também confirmada pelo advogado dos corintianos – a maioridade penal na Bolívia é de 16 anos, o que faria o garoto H. A. M. responder como todos os outros presos. O entrave é que ele não pode ser extraditado do Brasil para a Bolívia, já que os brasileiros não são extraditados do próprio país.
Mesmo assim, a justiça boliviana vai solicitar à brasileira que colabore na investigação dos fatos. O acordo entre os dois países permite que o brasileiro que cometeu um crime na Bolívia possa responder às acusações no Brasil - e vice-versa. Abigail, no entanto, quer que o menor seja interrogado em Oruro.
Abigail Saba, Ministério público da Bolívia (Foto: Diego Ribeiro)
Fiscal de investigação quer mais provas de que o
menor foi o autor do disparo (Foto: Diego Ribeiro)
- Ele responderia pelas leis bolivianas, já que o crime foi cometido aqui. Os outros 12 facilitaram sua volta para o Brasil. Mesmo assim, a confissão não quer dizer que foi ele mesmo o autor do disparo. Vamos analisar imagens e outras provas - explicou a fiscal de investigação.
Nesta segunda-feira, o advogado Miguel Blancourt apresentou a apelação à decisão da Corte Superior de Justiça de Oruro que confirmou a prisão preventiva dos torcedores do Corinthians. O documento contesta cinco pontos do inquérito assinado por Abigail Saba, que rebateu com veemência à apelação entregue pelo representante da embaixada brasileira.
fonte: globo