Jogadora da seleção brasileira de vôlei assombra em vitória heroica sobre a Rússia. Brasil avança no futebol, mas também sofre quedas
Por Alexandre Alliatti
Rio de Janeiro
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Esta terça-feira, 7 de agosto de 2012, deveria ser o dia da marmota para Sheilla. Deveria ser como aqueles momentos que se repetem sem parar para a personagem de Bill Murray no filme “Feitiço do Tempo”. Todo santo dia, ele acorda na cidade de Punxsutawney, nos Estados Unidos, e vê os acontecimentos se repetirem iguaizinhos à véspera, sem um triz sequer de mudança: a mesma música no rádio-relógio, as mesmas palavras, os mesmos cumprimentos, o mesmo pé atolado em um mesmo buraco na rua. Por mais que tente sair, ele está preso naquele dia – o dia da marmota, quando o bicho, uma espécie de esquilo, sai da toca para avisar se o inverno ainda vai durar algumas semanas ou se a primavera chegou. Se algum dia na vida da oposto da seleção brasileira de vôlei tivesse que se repetir sem parar, que fosse esta terça-feira. Que ela ouvisse a mesma música no rádio-relógio, que trocasse as mesmas palavras com as mesmas pessoas, que recebesse os mesmos cumprimentos infinitamente. E que protagonizasse para sempre, em um ciclo eterno, alguns dos minutos mais lendários dos Jogos Olímpicos de Londres na vitória de 3 sets a 2 sobre a Rússia.
Foi um jogo raro. Talvez a seleção adversária até fosse melhor. Difícil saber. Mas é certo que ela vinha invicta, com cinco vitórias em cinco partidas, ao passo que o Brasil sofrera duas derrotas. Para avançar às semifinais, mais do que qualidade, a seleção brasileira precisaria de maturidade, de espírito, de coração – justamente aquilo que boa parte das meninas foi acusada de não ter em um passado pré-Pequim. E a alma delas foi testada ao máximo. Desvantagem de 1 a 0. Desvantagem de 2 a 1. Tie-break. Seis match-points para a Rússia. Erros de arbitragem. E vitória! O mais incrível: vitória com uma bola depois da outra indo na direção de Sheilla, estivesse onde estivesse, fosse qual fosse a adversária gigantesca que se edificasse no bloqueio. Ela virou todas nos lances finais. Absolutamente todas. Transformou Gamova, a adversária de 2,02m, em uma anã.

Brasileira se emociona com vitória sofrida e vaga nas semifinais (Foto: Jonne Roriz / Ag. Estado)FONTE: GLOBO