quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Longe do acordo: chance de ruptura entre Flu e patrocinador aumenta

Possibilidade do fim da parceria ganha forma e agita os bastidores das Laranjeiras

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Rio de Janeiro
Celso Barros Fluminense Laranjeiras (Foto: André Casado / Globoesporte.com)Celso Barros, presidente da Unimed, não chega a acordo com Flu e parceria pode acabar (Foto: André Casado / Globoesporte.com)
Uma das parcerias mais longas do futebol brasileiro sofre sua maior crise desde que foi iniciada, em 1999. A cinco dias do término do prazo estabelecido para o anúncio do futuro da relação, Fluminense e Unimed estão longe de um acordo de continuidade, o que aumenta a chance de ocorrer uma ruptura. Nesta terça-feira, se espalhou rapidamente pelos corredores das Laranjeiras a informação de que o último capítulo estaria próximo e poderia ocorrer a qualquer momento.
- Só está perto de acontecer o que todos sabiam que um dia aconteceria - disse um membro da diretoria tricolor ao GloboEsporte.com.  
A patrocinadora e o clube têm contrato até o fim de 2016, mas a cada ano é reavaliado e pode ser até rompido. Em crise financeira, a cooperativa de médicos reduzirá o investimento e se compromete apenas a cumprir com os contratos vigentes. Ou seja, nada de bancar reforços. O Fluminense, por sua vez, busca alternativas financeiras para caminhar sozinho, inclusive um novo patrocinador. Segundo o presidente Peter Siemsen, o clube está preparado para suportar uma mudança tão expressiva.
- O Fluminense está preparado para lidar com uma mudança de modelo, uma eventual necessidade de diminuição, e fico orgulhoso com isso. Se meus cabelos brancos aumentaram foi para colocar a casa em ordem - afirmou, em entrevista no último dia 4.
Pessoas próximas a Celso Barros contam que ele não está satisfeito com a postura de Peter e já teria tomado a decisão de encerrar o vínculo. O próprio mostrou uma ponta de insatisfação em entrevista na semana passada. Questionado se a direção tricolor deveria ter procurado mais seu patrocinador em 2014, respondeu assim:
- Talvez quando a gente colocar a nossa posição (manter ou não o patrocínio) eu responda a sua pergunta.
Por outro lado, há quem diga que a paixão de Celso pelo clube poderia fazê-lo decidir pela continuação. A reportagem do GloboEsporte.com tentou contato com o presidente da Unimed ao longo de toda a terça-feira e falou com dois secretários. Segundo eles, Celso estava em reunião durante boa parte do dia. Não houve resposta.
Terminado o Brasileirão, o planejamento do Fluminense para 2015 está atrasado. Sem a definição do caso da Unimed, o clube está de mãos atadas para resolver questões como contratações e renovações, inclusive a do técnico Cristóvão Borges.
A Unimed paga entre 50% e 80% de direitos de imagem aos jogadores do clube. Quase todos recebem da patrocinadora. Por contrato, ela tem que investir pelo menos R$ 15 milhões anuais em pagamentos de imagem, mas quase sempre supera este número. Em 2014, por exemplo, foram R$ 25 milhões. E a tendência é que esse seja o teto para a próxima temporada. A parte que cabe ao Fluminense da folha salarial tricolor é de R$ 2,8 milhões. 
FONTE: GLOBO